Foi numa sessão de terapia há muito tempo atrás que eu descobri.
Foi quando a especialista perguntou da onde vinha aquela minha característica tão peculiar e um pouco inexplicável, que influenciava de tal maneira meu jeito de viver, ver o mundo e reagir a certas situações, que me tornava tantas vezes muito diferente dos demais e que algumas vezes me fazia assim, meio eu, com todas as vantagens e as dores que me cabem.
E eu, assim como a boa e dedicada aluna que sempre fui, dei uma corridinha até lá o fundo da alma pra buscar a resposta nota dez e descobri.
Não, não era da mãe. Não, não era do pai. Porque pai, mãe, irmã e os demais não tinham mesmo nada nada daquilo. E, bem da verdade, eram quase do time dos que não entendiam nada nada daquilo mesmo.
E a especialista bem que tentava analisar e entender, mas ela não sabia daquela.
Daquela que me deixou assim.
Desde então é cada vez mais evidente os traços dela que eu vejo em mim.
A rebeldia.
O feminismo.
A falta de medo.
O tamanho da boca que muitas vezes eu não consigo fechar.
A memória afiada.
O gosto pelas Letras, por Homero, pelo Latim.
Pelo crochê e pelas agulhas.
Pelas palavras que se cruzam e revelam a sabedoria.
Pelo jornal.
Pelas histórias.
O orgulho exacerbado.
A risada exagerada.
A vontade de viver pra sempre.
E a sensação de ser eterna.
E, é claro, o pirilampo.
*
Para aquela que estará para sempre a brilhar...
Desde então é cada vez mais evidente os traços dela que eu vejo em mim.
A rebeldia.
O feminismo.
A falta de medo.
O tamanho da boca que muitas vezes eu não consigo fechar.
A memória afiada.
O gosto pelas Letras, por Homero, pelo Latim.
Pelo crochê e pelas agulhas.
Pelas palavras que se cruzam e revelam a sabedoria.
Pelo jornal.
Pelas histórias.
O orgulho exacerbado.
A risada exagerada.
A vontade de viver pra sempre.
E a sensação de ser eterna.
E, é claro, o pirilampo.
*
Para aquela que estará para sempre a brilhar...
"Entre o gramado do campo
Modesto, em paz se escondia
Pequeno pirilampo
que, sem o saber, luzia.
Feio sapo repelente
Sai do córrego lodoso,
Cospe a baba de repente
Sobre o insecto luminoso.
Pergunta-lhe o vagalume:
- "Porque me vens maltratar?"
E o sapo com azedume:
- "Porque estás sempre a brilhar!"
Modesto, em paz se escondia
Pequeno pirilampo
que, sem o saber, luzia.
Feio sapo repelente
Sai do córrego lodoso,
Cospe a baba de repente
Sobre o insecto luminoso.
Pergunta-lhe o vagalume:
- "Porque me vens maltratar?"
E o sapo com azedume:
- "Porque estás sempre a brilhar!"
João Ribeiro (1860-1934)
Grande fabulário do Brasil
Grande fabulário do Brasil
1 Abobrinhas:
Ahhh... q belo Uchi! Um VIVA!!!
(ps: vc's nao falaram desse Pirilampo aí no reveillón em BU?)
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